domingo, 7 de janeiro de 2018

Pau Pereira - Por: Emerson Monteiro




Este o título de livro do ex-deputado federal cearense Iranildo Pereira, cujo lançamento se deu em Crato, no Bar da Praça do Jambo, Bairro do Pimenta, dia 06 de janeiro de 2018, ao qual tive oportunidade de comparecer em nome do Instituto Cultural do Cariri. São memórias de vivências do político, natural de Santana do Cariri, no Ceará, a contemplar sua trajetória desde os tempos heroicos do Movimento Democrático Brasileiro, de saudosa ausência das hostes históricas do nosso País.


Iranildo marcou presença em campanhas imemoráveis ao período recente di Brasil. Ao lado de nomes que assinalaram os esforços imprescindíveis na redemocratização pós Ditadura Militar, restou conhecido pelo verbo corajoso dos seus pronunciamentos e intervenções, a somar, com personalidades marcantes quais outros cearenses, Alencar Furtado, Paes de Andrade, Mauro Benevides, da mesma geração, e Lysaneas Maciel, Saturnino Braga, Teotonho Vilela, Freitas Nobre, Ulysses Guimarães, dentre outros mais, nos outros estados, fase crítica daquela fase.



Quando necessário, cerraram fileiras na busca de trazer de volta o estado de direito, e que, nas eleições de 1978, causariam espécie diante dos esforços empreendidos pelo MDB original, baluarte na defesa das instituições democráticas, momentos de rara unanimidade nas escolhas das populações.



Em seu livro, Iranildo Pereira narra de modo espontâneo tais momentos diversos dos embates essenciais que viveu naqueles meandros da vida pública. Instantâneos do que presenciou o credenciam, pois, a testemunhar com nitidez horas cruciais experienciadas cheio de denoto e resistência. Revela, inclusive, detalhes fundamentais do que esteve envolvido nas horas graves da nacionalidade, além de acrescentar particularidades das suas origens caririenses nos aspectos familiares e comunitários das lides interioranas.



Assim, numa espécie de relíquias do passado de quando a política ainda permitia os voos idealistas e sociais, esse paladino das legendas parlamentares oferece esta obra útil às interpretações da nossa história.



Em confecção bem cuidada da RDS Gráfica e Editora Ltda., Fortaleza CE, o livro traz na capa ilustração do artista Audifax Rios, há pouco desaparecido, prefácio do ex-governador Gonzaga Mota, apresentação da deputada federal Gorete Pereira e edição de Dorian Sampaio Filho.


Afinal, quem é o fundador de Juazeiro do Norte? -- Por Armando Lopes Rafael




Juazeiro em 1827 - óleo sobre tela de Assunção Gonçalves. a casa maior pertencia ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, cfe. pesquisas feitas pela artista

Alguns autores insistem em atribuir, erroneamente, ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações abaixo alinhadas,  concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o verdadeiro  fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade.
    Podemos afirmar, com toda segurança, que a cidade de Juazeiro do Norte – hoje conhecida em todo o Brasil, graças à figura do Padre Cícero Romão Batista – teve seu início como fruto da devoção à Nossa Senhora das Dores. Pois, a exemplo da maioria das cidades brasileiras de antanho, Juazeiro do Norte também nasceu em torno de um templo católico. A respeitada escritora e historiadora  Amália Xavier de Oliveira, na “plaquete” Conheça o Cariri, assim descreveu os primórdios de Juazeiro do Norte:

“Os terrenos onde foi fundada a grande cidade que é hoje Juazeiro do Norte pertenciam a um cidadão chamado Leandro Bezerra Monteiro, militante do Exército Nacional, no qual tinha o posto de Brigadeiro. Estes terrenos constituíam uma imensa planície coberta de pastagens férteis e abundantes. Árvores de grande porte formavam densas matas. O proprietário, o Brigadeiro, era possuidor de muitas terras na região; residia no sítio “Moquém” perto do Crato, onde tinha um engenho de fabricar rapadura. Para fazer sua criação de gado, escolheu os terrenos que iam em direção da Serra de São Pedro, hoje Caririaçu.
Havia, naquela planície, uma ligeira elevação do terreno perto da serra Catolé, às margens do rio Salgadinho. Ali, o Brigadeiro construiu a Casa da fazenda, que recebeu o nome de “Tabuleiro Grande”. Ao redor da Casa Grande da fazenda, os escravos foram construindo suas casas; vizinho a casa, construiu um aviamento para a fabricação da farinha de mandioca, de que havia grande cultura nos tabuleiros. Entre as árvores que circundavam o aglomerado de casas dos escravos, havia 3 juazeiros frondosos, de copas quase unidas, formando uma sombra acolhedora. Ali, os transeuntes que viajavam de Missão Velha, Barbalha, São Pedro, indo para a feira do Crato, procuravam abrigar-se. E combinavam: “Vamos botar a baixo (tirar as cargas para repouso) lá nos juazeiros”. Daí a corruptela: vamos descansar no Juazeiro”. (Cfe. Conheça o Cariri, sem data, páginas 3-4).

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     A mesma Amália Xavier de Oliveira, noutro escrito de sua autoria, O Padre Cícero que eu conheci, esclareceu o que motivou a construção da capela na fazenda Tabuleiro Grande:
Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda, perto da casa já existente”. (Cfe. "O Padre Cícero que eu conheci, edição de 1981, páginas 33-34).

    Alguns autores,no entanto,  insistem, erroneamente, em atribuir ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações – acima citadas – concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o verdadeiro fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade. Deve-se ao Brigadeiro Leandro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – ainda conhecida por Fazenda Tabuleiro Grande – com a edificação da Casa Grande, capela, residências para os escravos e agregados da família.

      A realidade histórica nos prova: quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, como 5º (quinto) capelão (antes dele já tinha passado por essa função quatro padres) já encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. Naquele povoado, à época da chegada do Padre Cícero, residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves.

      É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”.

(*) Armando Lopes Rafael, historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri.  Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA). Do Conselho Editorial da revista “A Província”.